Síndrome da apnéia/hipopnéia obstrutiva do sono

A síndrome da apnéia/hipopnéia obstrutiva do sono (SAHOS) é uma doença caracterizada por episódios de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono. A obesidade, fatores genéticos, alterações anatômicas ou hormonais são algumas das causas da SAHOS. A condição tem como o sintomas o ronco, o sono não reparador, as paradas momentâneas da respiração durante o sono, os distúrbios cognitivos (piora da memória e concentração), o cansaço e a irritabilidade. Desta forma, piora a qualidade de vida, além de aumentar o risco de hipertensão arterial, diabetes, doença cardiovascular, acidentes, distúrbios cognitivos e depressão.

O alto percentual de gordura corporal é o principal fator de risco para a SAHOS. A estimativa da gordura corporal pode ser feita por medidas antropométricas (peso, altura, circunferências e dobras cutâneas), pela bioimpedânia ou pelo DEXA (Dual Energy X-Ray Absorciometry). 

O DEXA permite a avaliação do acúmulo de gordura em regiões como o pescoço. O acúmulo de gordura nesta região influencia por exemplo o desempenho das vias aéreas superiores. O alto percentual de gordura corporal também aumenta o risco de resistência à insulina, síndrome metabólica e doenças crônicas. Desta forma, o acompanhamento nutricional é fundamental, assim como o acompanhamento com profissional de educação física, para prescrição e acompanhamento de exercícios que estimulem o ganho de massa magra e a termogênese afim de acelerar a queima de gordura. 

Fonte consultada: Bezerra, P.C. (2010). Composição corporal e síndrome de apnéia/hipopnéia obstrutiva do sono (SAHOS). Conectividade óssea. Informativo oficial da sociedade brasileira de densitometria clínica, sociedade brasileira de osteoporose e sociedade brasileira para estudos do metabolismo ósseo e mineral. Edição 27, ano XVI, p. 6-8.

Mais sobre o emagrecimento aqui.

Lactobacilos protegem intestino contra o glúten

São várias as desordens relacionadas ao glúten como a doença celíaca (intolerância), a alergia e a sensibilidade aumentada (Sapone et al., 2012Czaja-Bulsa, 2015). Na doença celíaca a exclusão do glúten é o único tratamento e é indispensável para reduzir o risco de má absorção, inflamação intestinal e neoplasias. Na alergia e na sensibilidade também é indicada a exclusão do glúten para melhorar o conforto gastrointestinal e reduzir a inflamação sistêmica. 

Quando o glúten não é removido da alimentação a permeabilidade intestinal aumenta, assim como o ganho de peso, a hiperinsulinemia e o risco de esteatose hepática e diabetes. Revisão publicada em 2015 mostrou que a microbiota saudável é uma importante protetora intestinal, inclusive contra o glúten. Desta forma, sugere-se a suplementação de algumas cepas de lactobacilos (Verdu, Galipeau & Jabri, 2015).

Dr. Murilo Pereira, sugeriu, em palestra proferida no 3o meeting de nutrição estética, a suplementação de pelo menos 5 bilhões de bactérias, 2 vezes ao dia, para a correção da disbiose.

Fonte: palestra do Dr. Murilo Leite, maio 2016

Fonte: palestra do Dr. Murilo Leite, maio 2016

Para adequar a suplementação às suas necessidades procure um nutricionista.

Endotoxemia metabólica

Em uma pessoa com peso normal existem 10 a 15 % de macrófagos no tecido adiposo

Em uma pessoa com peso normal existem 10 a 15 % de macrófagos no tecido adiposo

As células adiposas de um obeso possuem 50 a 60% de macrófagos

As células adiposas de um obeso possuem 50 a 60% de macrófagos

As figuras acima mostram as células adiposas de uma pessoa magra (à esquerda) e uma pessoa com alto percentual de gordura (figura à direita). Observe que  acúmulo de gordura aumenta a infiltração de macrófagos, células responsáveis pela fagocitose de substâncias estranhas ao organismo (Odegaard e Chawla, 2012).

Esta infiltração aumenta a inflamação e a resistência à insulina no tecido. Um dos responsáveis por esta inflamação é o LPS - Lipopolissacarídeo (componente de membrana celular de bactérias gram negativas) que pode atravessar o intestino e chegar às células adiposas. O LPS é uma toxina que provoca uma forte resposta pelo sistema imune. Macrófagos que entram em contato com o LPS promovem resposta inflamatória. 

Pessoas com dietas ruins, estresse elevado ou consumo excessivo de remédios tem alteração na permeabilidade intestinal. Com isso mais LPS chega à corrente sanguínea. A figura a seguir mostra uma série d fatores que afetam o intestino (Ananthakrishnan, 2015) causando disbiose e aumentando a permeabilidade intestinal.

Quando a alteração da permeabilidade é devido ao LPS se denominada endotoxemia metabólica. Ela promove resistência à insulina, inflamação no tecido adiposo e maior chance de infiltração de macrófagos M1. Dependendo do local da inflamação pode aparecer celulite, esteatose hepática, obesidade, aumentar o risco de diabetes e outras doenças.

Quando emagrecemos nossa própria gordura pode começar a liberar no sistema toxinas que estavam anteriormente acumuladas devido ao nosso contato com medicamentos, pesticidas, metais pesados, etc. Assim, a inflamação sistêmica acaba aumentando e gerando mais hiperplasia e hipertrofia do tecido adiposo. Assim, fica difícil emagrecer.

Estudos mostram que o tecido adiposo inflamado mobiliza muito macrófago M1 (Ota, 2013).

Fonte: Ota, 2013

Fonte: Ota, 2013

Por isso, para emagrecer ou desinflamar você precisará tratar o intestino e fornecer nutrientes que ajudem seu fígado a eliminar toxinas. Além disso precisará inibir macrófagos M1. Para tanto é importante aumentar interleucina 10, que por sua vez é aumentada pelas células Treg (T reguladoras). Estas células aumentam na presença de probióticos (que reparam o intestino), vitaminas A e D, DHA (ômega-3) e complexo B (Kunisawa & Kiyono, 2013). Diminuem com dietas ricas em gordura, no estresse oxidativo e na presença de glúten (Issazadeh-navikas, Teimer & Bockermann, 2012).

Moral da história? Para emagrecer, reduzir celulite, risco de resistência à insulina, disbiose, risco de esteatose e diabetes a dieta balanceada é muito importante. Para reduzir toxinas reduza o consumo de industrializados e dê preferência a alimentos orgânicos. Além disso faça acompanhamento com um nutricionista para avaliar a necessidade de suplementação.

Não misture antiácidos com sucos, chás e refrigerantes!

Muitos antiácidos possuem alumínio em sua composição. A intoxicação por alumínio aumenta o risco de osteoporose, alterações gastrintestinais, nervosismo acentuado, enxaquecas, esquecimento, dores ósseas e musculares. O alumínio também está presente em utensílios de cozinha, no papel alumínio, nos antitranspirantes e desodorantes, em alimentos e bebidas enlatados, no cigarro e no queijo parmesão fundido.

Antiácidos como o Maalox (hidróxido de alumínio) podem exceder a dose segura de alumínio em até 100 vezes. Contudo, o produto não se refere a isso no rótulo ou ao fato de que a acidez de bebidas pode aumentar a absorção deste metal pesado.  Tomar o antiácido com suco de laranja pode aumentar a absorção de alumínio em até 8 vezes! 

Frutas cítricas reconhecidamente aumentam a absorção de ferro, o que pode ser bom. Mas o mesmo mecanismo leva à absorção de metais pesados e tóxicos, como o alumínio. O chá de hibiscus também é rico em ácido cítrico, que também pode aumentar a absorção de alumínio.

O próprio hibiscus também contém alumínio em pequena quantidade. Contudo,  não existem dados sobre quanto deste metal chega à corrente sanguínea. A erva também  contém ferro e manganês, metais que competem com o alumínio na absorção. Ou seja, a absorção de alumínio não deve ser grande. De fato, atualmente pesquisas sugerem um consumo seguro de chá de hibiscus de até 1,8 litro ao dia para adultos e de até 900 ml ao dia para crianças a partir de 2 anos, gestantes e lactantes. Só não vale tomar chá de hibiscus com antiácidos.

O manganês do hibiscus ao ser absorvidos será incorporado a enzimas antioxidantes importantes para a proteção do organismo. A recomendação de manganês para crianças de 2 anos é de 1,2 mg ao dia e para adultos de 1,6 (mulheres) a 1,9 mg ao dia (homens). Estima-se que 4 xícaras de chá de hibiscus forneçam entre 10 e 17 mg de manganês. Estudo da Universidade de Wisconsin mostrou que mulheres que suplementaram 15 mg de manganês por 4 meses tiveram uma melhoria na atividade de enzimas antioxidantes e menos inflamação.  Outro estudo suplementou 20 mg ao dia a mulheres jovens e saudáveis e não observou nenhum efeito adverso adverso já que o organismo absorve menos manganês quando a disponibilidade é alta. Mesmo assim, não recomenda-se estas dosagens em suplementos pois as mesmas excedem as recomendações máximas. Manganês em excesso também pode interferir na absorção de outros minerais como ferro, magnésio e cálcio.

Ou seja, enquanto o chá de hibiscus não representa um risco quando utilizado sozinho, o uso de antiácidos provavelmente sim, principalmente se tomados indiscriminadamente, sem indicação e acompanhamento médico e associados a sucos ou outras bebidas ácidas, como sucos, refrigerantes e o próprio chá.

Para acessar os artigos citados clique nos links em azul.

Curso online - Alimentação e Suplementação na Síndrome de Down

O curso de alimentação e suplementação na síndrome de Down foi lançado hoje na plataforma Udemy. Aborda questões importantes que vão da gestação ao envelhecimento. Discute os principais estudos da área. São mais de 3 horas de videoaulas, um livro gratuito e muitos materiais complementares para você acessar. A plataforma também permite interação entre os participantes (médicos, nutricionistas, pais).

Para acessar os módulos, assistir a um vídeo gratuito ou se inscrever clique aqui.

Depoimentos espontâneos:

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O Udemy confere certificado a todos que completarem o curso.

Qual bebida hidrata mais?

Mais um estudo doido publicado em 2016 (Maughan et al., 2016). Já sabíamos que café, bebidas cafeinadas (como energéticos) e álcool são as piores forma de hidratar o corpo. Já sabíamos também que bebidas esportivas hidratam melhor que água. Mas você sabia que chás, sucos e leites hidratam também melhor que a água? 

Mas fique atento. Todas essas outras bebidas podem ter uma quantidade alta de calorias, sódio, carboidratos simples e cafeína. Por isso, continue tomando água e converse com seu nutricionista sobre a melhor forma de incluir outras bebidas na dieta.

Apesar do estudo ter mostrado que o refrigerante é um boa bebida para hidratação, lembre-se dos outros malefícios para os ossos e músculos, para o coração, para a circunferência abdominal, para a pressão arterial… 

E isso vale até para os refrigerantes diet/light! São vários os mecanismos pelos quais os adoçantes aumentam a CA. Um deles é o desequilíbrio da microbiota intestinal, que leva à inflamação e resistência à insulina. Tem um artigo de 2016 sobre o assunto (Nettleton, Reimer & Shearer, 2016) . Outro mecanismo seria o aumento da atividade do receptor GLUT 2 com maior absorção de glicose. Tem outro artigo de 2016 sobre o assunto (Foletto et al., 2016). O último mecanismo defendido por alguns pesquisadores seria o de que adoçantes aumentariam o apetite e o consumo de outros alimentos (Mattes, 2016).

Leia MAIS sobre os malefícios dos adoçantes à saúde aqui. Para saber mais sobre os males dos refrigerantes clique aqui.